<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37537846</id><updated>2011-12-15T00:33:16.101-02:00</updated><title type='text'>OS  MANUSCRITOS</title><subtitle type='html'>A TORRE DE PAPEL

-Ensaios, frases, contos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://atorredepapelosmanuscritos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37537846/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atorredepapelosmanuscritos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Benjamim Zuriel</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2384/4207/1600/babel.0.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37537846.post-116356252605404931</id><published>2006-11-15T01:33:00.000-02:00</published><updated>2007-01-22T00:53:13.366-02:00</updated><title type='text'>ENSAIO  -  O DEUS PSICOPATA.</title><content type='html'>Antes, algumas palavras sobre linguística. Todo signo linguístico implica em dois modos de arranjo:&lt;br /&gt;1) A combinação. Todo signo é composto de signos constituintes e/ou aparece em combinação com outros signos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REMETENTE ( CONTEXTO + MENSAGEM +  CONTATO + CÓDIGO ) DESTINÁTARIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Cada  um desses 6 fatores determina uma diferente função da linguagem, dificilmente, encontramos mensagens verbais que preenchessem uma única função&lt;br /&gt;2) A seleção . Uma seleção entre termos alternativos implica a possibilidade de substituir um pelo outro, equivalente ao primeiro num aspecto e diferente em outro. De fato, seleção e substituição são duas faces de uma mesma operação.&lt;br /&gt;   Isso quer dizer que quando falamos ou escrevemos algo, por exemplo, damos os PARABÊNS para alguém- está acontecendo- simultâneamente, de a MENSAGEM(parabêns), estar inserida em um CONTEXTO(ser o aniversário de alguém),  no qual  se dá  um CONTATO( verbal ou escrito os parabêns) com determinado CÓDIGO(o idioma no qual é dado os parabêns).&lt;br /&gt;  Essa explanação inicial é necessaria justamente por tratarmos de um signo tão complexo como o de Deus.&lt;br /&gt;   A palavra Demiurgo  é usada, geralmente, para   assuntos  relacionados ao surgimento e formação do Universo. Foi usada por antigos filósofos gregos.O principal: Platão. E, a partir daí, por diferentes escolas e autores. Platão expôs, na medida do possível, partes importantes relativas a esse conhecimento.&lt;br /&gt;   Em um primeiro momento pode-se pensar que “Demiurgo” denomina, o Deus-Pai Criador de tudo quanto existe; porém, essa é uma definição  simplista e incorreta.&lt;br /&gt;   Toda a Vida é enaltecida por nós; contudo, individualmente, somos ainda, muitas vezes, mesquinhos.A maioria de nós  surge neste mundo, faz e diz muitas coisas ; entretanto, não se perguntam  por que e para que estão aqui; que é isso que nelas vibra como vida, lhes permite movimentar-se, pensar, ter sentimentos; que sentido real e profundo deve ter as suas existências. Quando o fazem, geralmente, aceitam uma crença mais ou menos simplista ou,  tornam-se fanáticos de alguma igreja ou movimento.&lt;br /&gt;   Cada um de nós, ao menos uma vez na vida, experimentou a sensação de dor, de sofrimento, de vulnerabilidade ou de pura tristeza. Principalmente em momentos de crise como em casos de doença, por um problema pessoal, pela morte  de algum ente querido; também, quando observamos os horrores do mundo que nos cerca,  em que a humanidade realiza grandes conquistas científicas e tecnológicas mas ao mesmo tempo construiu meios de destruição; quando paramos para analisar o mar de  dor e de loucura em que a humanidade em geral está submersa; quando, enfim, “apenas” sentimos aquela angústia, aquela insatisfação, aquele vazio fundamental que tantas vezes nos acompanha no dia a dia.&lt;br /&gt;   Nessas ocasiões, em alguma fase da nossa vida, seguramente nos teremos interrogado se não existe um Deus no “Céu” ou, se ele existe, por que permite que tais coisas possam acontecer no mundo.&lt;br /&gt;   Quando vemos que não apenas a nós, humanos, nos toca a dor e a miséria, na Natureza, há inúmeros  insucessos ou mesmo  aberrações; quando constatamos que todo e qualquer ser que conheçamos é limitado e, portanto, imperfeito; quando, enfim, nos confrontamos com o problema do mal&lt;br /&gt;   De facto, se existe – se existisse – um Deus simultaneamente Absoluto, Criador, Todo-Poderoso e infinitamente, e principalmente,  Bom, como é que não quis ou não pôde fazer um mundo muito mais perfeito,ou melhor, infinitamente perfeito e feliz , bem-aventurado do que este?&lt;br /&gt;   A teologia  Cristãs diz  ter uma resposta para esse problema. Sintetizando, a sua posição é esta: Deus é uma Pessoa – que é também três pessoas  – distinta do mundo, que criou do nada , da mesma forma como cria as almas humanas  cada vez que é concebido um corpo a que se vão associar. Deus criou o homem para ser feliz neste mundo, embora sempre numa limitada condição. Demoniacamente tentados a serem idênticos a Deus, para tanto comendo da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, remotos antepassados nossos teriam cometido o pecado original, motivo pelo qual temos de sofrer  neste mundo . Alguns milhões de anos depois, Deus enviou o seu Filho--que seria Ele mesmo-- para redimir,os que crerem n’Ele, do pecado, que assim entrou no mundo e para conduzir a vida eterna os crentes.&lt;br /&gt;   Mas vejamos:&lt;br /&gt;1) Existindo um Deus pessoal, infinitamente justo, criador e governante moral do Universo, onde intervém sempre que e como lhe parece conveniente  – que é o que sustentam tais teologias – de que modo podemos entender e aceitar que milhares e milhares de gerações de seres humanos, muitos e muitos milhares de milhões de homens e mulheres continuem a sofrer as consequências de um facto para o qual não contribuíram, visto não existirem no momento em que esse facto foi – por outros – praticado .&lt;br /&gt;   Alguns podem se perguntar porque tais  “explicações” podem ser concebidas e aceitas.Seriam   duas as razões: o fanatismo  de alguns  e a indiferença real do cidadão comum perante qualquer espiritualidade profunda, que de fato não leva a sério e que por isso não questiona – como o faria se estivessem em causa, por exemplo, valores monetários que o afetassem.&lt;br /&gt;2) Se Deus é onipotente e infinitamente bom e faz todas as criaturas como quer, por que concebeu um ser limitado como o ser humano, mesmo no seu estado original de graça?  deveria então o ser humano permanecer infantilmente sem discernimento próprio, sem ciência do bem e do mal? Como poderia ser Deus infinito e absoluto, se fez surgir mundos e criaturas do nada que então seria  algo que não Ele próprio? E qual explicação baseada na razão, para que  Deus não tenha desencadeado imediatamente, logo após a criação, o seu plano de salvação, e só há apenas dois milênios, depois de milhares de outros, enviou o seu Filho veio à Terra. Enfim, por que existem textos cosmogônicos e antropogenéticos muito mais antigos do que o Gênesis e de que este é um simples resumo mais ou menos confuso?&lt;br /&gt;   O fato é que existe dor, limitação  no Universo. Os gnósticos cristãos de há cerca de dois milênios atrás foram  considerados como hereges pelo Cristianismo nascente—que era muito diferente do atual-- e depois triunfou. Esses gnósticos consideravam Jeová como demiurgo de um mundo inferior, imperfeito, recusando a sua identificação com o Pai Celestial referido por Jesus e, menos ainda, com o Absoluto. Pretendiam, esses gnósticos – como Simão,e de algum modo, o próprio S. Paulo –, cortar a ligação com o Jeová ciumento e vingativo e cruel que aparece em tantas páginas do Antigo Testamento.&lt;br /&gt;   Em qualquer caso, sempre os filósofos mais ilustrados se recusaram a identificar o Demiurgo com a Divindade Suprema, tendo ficado célebre a denominação de o segundo deus.&lt;br /&gt;   Demiurgo não é uma Divindade pessoal, isto é, um Deus extra-cósmico imperfeito, e sim a coletividade  e  demais forças.&lt;br /&gt;   Esta era igualmente a concepção de Platão. Ao referir-se ao Demiurgo, não pensava ele em um ou “o” Deus. Com efeito, há que sublinhar o carácter politeísta do conceito de divindade que Platão nos apresenta no Timeu: a divindade é participada por vários deuses, cada um dos quais tem uma função e domínio próprios, sendo o Demiurgo tão só o seu chefe hierárquico, “Não há aqui qualquer sinal de monoteísmo: na crença da divindade está a crença nos deuses: a divindade é participada igualmente por um número indefinido de entes divinos, dos quais os mais elevados têm nos astros os seus corpos visíveis (Leis, 899-a-b)” .&lt;br /&gt;   O Universo é construído de acordo com modelos  “Ideais” a que se referia Platão, e das quais o Demiurgo – a colectividade de Inteligências Espirituais que o integram – se serve para ordenar a Substância e transformar o Caos em Cosmos. Assim, o Demiurgo é o agente das Leis Divinas que regem o Universo.&lt;br /&gt;  Cada uma,das Inteligências Divinas, Potências Criadoras – ou deuses, por outras palavras – que, como dissemos, integram coletivamente o Demiurgo, o Logos, o Verbo Criador do Pensamento Divino, colaborando na construção, sustentação e direção de todo o Universo objetivo, de cada uma das suas formas, de cada um dos seus átomos. Assim, todas as Entidades  – como deuses – integram uma das grandes Hierarquias Criadoras, em que as  Humanas, os Homens Divinos se incluem. O Universo existe (ou é) trans-temporalmente no Pensamento Divino mas vai se executando num longo devir, através do concurso de todas as unidades de vida divinas . E todos somos co-responsáveis em tornar o Universo mais perfeito.&lt;br /&gt;  As Hierarquias Criadoras são mencionados nas tradições mais ocidentais  como Filhos de Deus, Homem Primordiais, Elohim, Anjos , Arcanjos, Tronos, Virtudes, Potestades, Dominações, Principados, Querubins, Serafins, Potências, Degraus, Anuphaim, Sete Espíritos diante do Trono, Anciãos, etc.&lt;br /&gt;  Assim, o Demiurgo forma o Universo a partir de uma matéria prima já existente, porque eterna. A chamada criação ex nihil (a partir do nada) não faz sentido, porque nada pode ser nada, porque o nada não pode existir, exceto se dermos à palavra nada o sentido de “sem atributos”. Platão explica no “Timeu” que o Demiurgo não é onipotente: produz o Cosmos tão bom “quanto possível”  e tem de conformar-se com os efeitos contrários da “necessidade”  – da necessidade da existência condicionada.&lt;br /&gt;   Embora, haja quem ache difícil  e inútil abordar as questões mais sutís e profundas da Criação, a sua compreensão tem implicações incontornáveis nos paradigmas culturais, científicos, religiosos vigentes e que condicionam o mundo.&lt;br /&gt;   Por exemplo: a clara noção de um Princípio Absoluto, Incriado e Incriador (de qualquer coisa relativa) e, distintamente, do Logos ou Demiurgo, como “agregado coletivo de todas as inteligências espirituais criadoras” – mas não absolutas nem perfeitas, por isso que se manifestam no espaço e no tempo relativos , evoluindo para patamares cada vez mais amplos e elevados , permite encarar o já referido – e dramático – “problema do mal”; torna evidente a realidade da justiça no Universo, já que ele depende do querer coletivo de todos os Filhos do Divino; responde satisfatória e plenamente à pergunta dos cientistas: “Se o Universo é obra de um Deus perfeito e Onipotente, como é que a Natureza parece revelar tentativa e erro, ou seja, tentativas falhadas?”&lt;br /&gt;  Para alguns cristãos essa idéia soa diferente. A situação do homem seria duplamente trágica  porque estaria  preso a um mundo criado por um Deus iludido.&lt;br /&gt;  Isso nos leva a uma abordagem psicológica e antropológica da visão de Deus. “Todas as religiões são cruéis, todas envolvem sangue, já que tudo se baseia principalmente na idéia de sacríficio, isto é, na imolação perpétua da humanidade como vingança insaciável do divino,”Bakunin foi um líder russo do século XIX.&lt;br /&gt;  O sacrifício é a forma pela qual os seres humanos dão de comer à divindade ou divindades; a vitíma é , na verdade, uma alimento. Assim os deuses olímpicos sentiam o cheiro da carne assada nos altares de sacrificio.O Deus sol dos astecas morreria se não recebesse sua porção regular de sangue humano; os deuses maias exigiam sangue como alimento: os deuses incas “comiam”as lhamas que eram imoladas em honra deles. O deus hebraico é retratado como o fogo divino que literalmente sobe e consome a carne que está no altar. O rei Davi percebeu o interesse que a carne despertava em Jeová no sacrifício ritual quando, a certa altura, resolve acertar as coisas com deus “deixando que Ele sinta o cheiro de uma oferenda”. Uma das explicações é que só sacrificamos algo que seja útil para que essa determinada coisa ascenda da realidade do útil para a realidade da imanência. Mas a explicação  mais óbvia e objetiva é que os “deuses preferem carne como alimento. Afinal, por que Caim brigou com Abel e assim, iniciou o ciclo dramático de violência desumana? Como sabemos, Caim era lavrador e fez oferendas com “os frutos da terra”. Abel era pastor e ofereceu “um cordeiro do seu rebanho”. Deus preferiu a oferenda de carne e protegeu Abel, daí a inveja de Caim chegar a ponto de matar o irmão. A explicação filosófica aceita é a de que Caim, como Jó mais tarde, estava recebendo uma lição das arbitrariedades de Deus e da necessidade  de aceitar a vontade dele, qualquer que fosse ela. Mas há poucos mil anos, quando esta história estava acontecendo, o comportamento divino não parecia tão arbitrário: Ele simplesmente queria carne.&lt;br /&gt;   O sacrifício, embora seja de certa forma mais que uma preparação elaborada para refeição--parecida com a ação de graças dos americanos-- ele contêm um elemento de inquietação que costuma ser interpretado como culpa.&lt;br /&gt;  Num antigo rito babilônico, o sacerdote pedia desculpas pelos ferimentos causados na cabeça do boi sacrificado, dizendo: “Não sou eu que faço isso, mas todos os deuses”.&lt;br /&gt; Na tradição hebraica e grega, os mitos confirmam a idéia de que a vitíma mais desejada pelos deuses era, na verdade, um ser humano-- o animal era apenas um substituto.Em alguns casos de sacríficio de animais,a vítima é vista como se fosse humana, vestida com roupas de gente e tratada como uma criança.&lt;br /&gt; Platão relata o seguinte: “No inicio, os homens viviam distantes uns dos outros e não existiam cidades. Por causa disso, foram destruídos pelos animais que estavam em toda parte e eram mais fortes do que eles. O esforço dos homens para alimentar os animais não era o mesmo despendido para lutar contra os animais selvagens.”&lt;br /&gt; O paleontólogo Raymond  A . Dart, resumiu a ligação entre caça do período paleolítico, a imolação sacrificial e a guerra.&lt;br /&gt;   “Os arquivos da História humana, salpicados de sangue e cheios de vísceras das carnificinas, começando com os antigos egípcios e sumérios até as recentes atrocidades da Segunda Guerra mundial, estão ligados ao primitivo canibalismo universal, às práticas de sacrifício de animais e seres humanos ou seus substitutos em religiões formais, assim como aos hábitos  de escalpelamento, decapitação, mutilação do corpo e necrofilia. Este diferencial sanguinário, este hábito predatório, esta marca de Caim separa pela alimentação o homem de seus parentes primatas e liga-o ao mais mortal dos carnívoros.”&lt;br /&gt;   Antes disso porém os homínideos se alimentariam de carniça.&lt;br /&gt;Segundo a teoria da caça, sustenta que os seres humanos precisavam matar, mas sentiam um profundo mal-estar. Karl Luckert:&lt;br /&gt;  “Por causa do delito de matar, os caçadores primitivos criaram e realizaram rituais religiosos de arrependimento – para, antes de tudo, aliviar seus sentimentos de culpa. Eles expiavam seus pecados”.&lt;br /&gt;  Nossos antigos antepassados, assim como o moderno homo sapiens, podem ser uma saborosa presa, como comprova ataques de leões   na Índia  e de tigres que até hoje se alimentam de humanos.&lt;br /&gt;  No período paleolítico, os humanos (ou homínideos) não precisavam ser o alimento predileto dos animais .Primeiro, porque a população de predadores, como de todos os animais de grande porte, era muito maior nesse período do que depois dele. Além disso, se os humanos obtinham alimento primeiro nas carniças, eles tinham de ir, cada vez mais, para os lugares onde animais caçadores mais bem-sucedidos estiveram e para onde sempre haveria possibilidade de o predador voltar. Os leopardos e leões vão lutar contra o caçador furtivo que encontram nos lugares onde costumam matar cães selvagens ou hienas, por exemplo, e os hominídeos desarmados seriam facilmente enxotados ou até incluídos na refeição do predador. Embora alimentar-se de carniça pode ser vantajoso se comparado com a caça, nem por isso era uma tarefa de pouco risco.&lt;br /&gt;  Pode ofender a vaidade humana pensar-se como alimento. O próprio Charles Darwin adimite que, se os hominídeos tivessem sido um pouco mais fortes, “eles normalmente não teriam (...) conseguido se socializar, o que teria restringido muito a aquisição de suas maiores qualidades de raciocínio.(...)Portanto, pode ter sido uma enorme vantagem para o homem ter se originado de um animal comparativamente fraco”.&lt;br /&gt;Estamos acostumados a pensar nos animais apenas como objeto de cobiça dos homens- no máximo, os consideramos como bichos de estimação. Já existiram “povos-pastores”, “povos-caçadores”, “povos-cavalos”, com o adjetivo mostrando a total subordinação a um estilo de vida. Os povos industrializados de hoje não pensam nos animais nem como servidores úteis, apenas os acham bonitinhos. Os ursos viraram bichos de pelúcia, os dinossauros como personagens de desenhos, os animais falam e fazem tarefas humanas nas histórias como protagonistas.&lt;br /&gt; Mas para o homem primitivo, os animais tiveram um papel muito maior e ativo. A arte primitiva mostra animais desenhados com perfeição  como bisontes, rinocerontes, ursos, cervos- interagindo com figuras humanas, que em geral não passam de formas esguias. As civilizações mais antigas adoravam deuses híbridos, meio animais e meio humanos, como Sekmet, a deusa egípcia da guerra que tinha cabeça de leão. Os enfeites geométricos na arte chinesa mostram animais – na maioria, usados em sacrifício- representados de forma abstrata. No panteão hinduísta, Ganesh tem forma de elefante e Hanumã, de macaco. Até os deuses gregos mais antropomórficos são associados a animais- como deméter e seus porcos- e uma divendade pode Ter tido antes a forma de um animal.&lt;br /&gt;  Os animais podem se tornar humanos, os deuses podem se transformar em animais e vice-versa. Exatamente como os sapos viram príncipes nos contos de fada, Zeus se transforma num cisne para raptar Leda, Ártemis transforma Acteão num cervo e, os homens podem virar lobos ou ursos antes de serem guerreiros. Os humanos e animais dos mitos ainda interagem de forma promíscua, sem se importarem com a compatibilidade genética. Pasífae, rainha cretense, tem relações com um touro e dá a luz o colossal Minotauro. No mahabharata, Rama chama os deuses para se acasalarem com “as mulheres dos macacos e ursos mais importantes” a fim de produzir uma geração de guerreiros super-homens que tenham “a força do elefante e a velocidade do vento”.&lt;br /&gt;  De todos os animais lendários, nenhum tinha papel mais forte e ativo que os lutadores, aqueles que representavam perigo para os humanos: os grandes e chifrudos ungulados e, principalmente, os predadores. A deusa hinduísta Durga salva todo o panteão de deuses ao vencer o demônio-búfalo. O herói grego hércules luta com o leão de Neméia; teseu domina os javalis-gigantes e o minotauro de cabeça de touro. Sem falar dos mitos com dragões, monstros marinhos e animais hibrídos. Parece que o  único  tema universal na mitologia é o encontro do herói com o monstro que está devastando a terra ou ameaçando a própria estrutura do universo: Marduk combate o monstro Tiamat; Perseu mata o monstro marinho antes que ele devore Andrômeda. Beowulf domina o repugnante Grendel, que alimentava a noite. Um psicanalista poderia dizer que esses animais são projeções do psiquismo humano.&lt;br /&gt; Mas levar esses monstros ao pé da letra seria mais humilde e honesto--eles seriam formas exageradas de um Outro bem real, o animal predador que às vezes comia carne humana.&lt;br /&gt; Um estudo sobre os medos das crianças urbanas, em 1933, constatou uma alta incidência de medo com relação a animais e monstros híbridos de animal e homem, portanto antes da tv com seus filmes de monstros. Um outro estudo detectou que as crianças tem um medo irreal para a civilização urbana que é o medo de animais selvagens. Com uma pergunta do tipo, “Você tem medo de quê? “teve  como resposta de 80 % das crianças entre 5 e 6 anos: animais selvagens, principalmente cobras, leões , tigres e ursos.&lt;br /&gt; Não há dúvida que o sacrifíco de animais reencena o ataque do homem sobre o animal. Mas há formas de sacrifício que tem função dramática bem diferente: reencenar o ataque de animais sobre seres humanos. Por meio do sacrifício de animais no lugar de vítimas humanas.&lt;br /&gt; Imagine uma situação real para os primitivos, com um grupo cercado por predadores: homens caçados por lobos, ou macacos enfrentando leopardos. O extremo perigo é experimentado com nervossismo e ansiedade. Geralmente, só há uma forma de salvação: um integrante do grupo deve virar presa dos carnívoros famintos enquanto os demais se salvam. É mais provável que essa vítima seja estranho ao grupo, um animal ferido ou jovem. Essa situaçào de perseguição deve ter desempenhado um papel importante na evolução da civilização enquanto o homem, como caçador, se transformava em predador.&lt;br /&gt;  E a tradição guardou relatos sobre sacrifícios humanos. Jeová pede o sacrifício de Issac, mas aceita um carneiro. O titã Cronos exigia carne humana. As bacantes , exaltadas adoradoras de Dionísio, destroçavam pessoas com as mãos e comiam-nas vivas. Na Ilíada, 12 jovens troianos capturados foram sacrificados junto com diversos animais no enterro de Pátroco e, segundo a lenda, Aquiles exigiu o sacrifício da princesa Polixena.&lt;br /&gt; Mas os casos mais impressionantes de sacríficio humano não vem do mundo antigo mas de tempos recentes: No México do século XV e África do século XIX. Na inauguração do Templo de Tenochtitlan, os astrecas teriam sacrificado mais de 10 mil prisioneiros de gruerra. Tudo começava quando a vítima subia os degraus da pirâmide onde o sacrifício iria se realizar: “No alto, era esperada pelos sátrapas ou sacerdotes que iam matá-la. Eles então a agarravam, jogavam-na sobre uma pedra, segura pelos pés, mãos e cabeça, a deitavam no chão. O sacerdote fincava a faca de pedra com força no peito da vítima e, depois de abri-lo, enfiava a mão e arrancava o coração que oferecia então ao Sol. No reino africano de Dahomei, eram empreendidas guerras com a única finalidade de arrebanhar vítimas para os rituais de sacrifício. “O rei ficava num palanque entre seus dignatários, enquanto o povo ficava embaixo, numa multidão compacta. O rei dava um sinal e os executores começavam.&lt;br /&gt; A cabeça dos prisioneiros assassinados era colocada numa pilha e viam-se muitas pilhas.havia procissões pelas ruas cheias de corpos nus de inimigos executados dependurados em forcas; para não melindrar as inúmeras esposas do rei, os corpos eram mutilados(...)O povo disputava os cadáveres e dizia-se que, em seu frenesi, comia os mortos. Todos queriam um pedaço do inimigo morto; a cena podia ser descrita como uma comunhão da vitória. Depois dos seres humanos vinham os animais, mas o mais importante era o inimigo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seja qual for a razão dos rituais de seres humanos e animais , ele imitava de diversas formas a emoção do ataque de um predador. Nesse ritual um animal ou ser humano do grupo é escolhido para morrer, em geral de forma bem sangrenta: os astecas arrancavam o coração da vítima; em um ritual grego a vítima era esquartejada. A platéia grita, o sangue da vítima espirra ou é aspergido sobre objetos ou pessoas que precisam purificar-se, há muita agitação, gritos histéricos, uma sensação de perigo máximo seguida de um enorme alívio e finalmente da culpa porque ele morreu no meu lugar.&lt;br /&gt;  Talvez para os primitivos eles gostassem de pensar que os mais fracos capturados pelas feras tinham sido voluntariamente oferecidos pelo grupo. Assim a religião ou uma vaga cerimônia dela, poderia ter amenizado a dura realidade do ataque; perder uma criança para animais selvagens fica mais aceitável quando considerado como “sacrifício” para afastar futuros males. Visto como “sacrifício”, o horror da vítima escolhida ao acaso fica em parte redimido.&lt;br /&gt; A outra possibilidade é pelo motivo de os primeiros humanos  terem se alimentado da carniça de animais mortos. Isso colocaria nossos antepassados em um relacionamento demasiado ambivalente com os animais predadores. Por um lado, os predadores são, claro, destruidores, e atacam os hominídeos  fracos e incautos do grupo. Por outro lado, os animais que os hominídeos matam se tornam, de certa forma , fornecedores de alimento: os restos deixados pelos grandes felinos , por exemplo, deveriam atrair as hienas, os cães selvagens e, às vezes, alguns carnívoros incapazes – como nossos próprios antepassados homínideos , esses carnívoros não podiam abater sozinhos um animal de grande porte.&lt;br /&gt; Assim, a presença de animais carnívoros atraídos pelas oferendas “sacrificiais” pode até ter sido bem-vinda em determinadas situações, apesar dos perigos evidentes. Não adiantava os primeiros humanos viverem cercados por muitos e saborosos animais de caça se não existiam animais predadores que caçassem para eles. Pelo menos um tipo de animal predador- o lobo ou cão selvagem- parece ter sido atraído pelas oferendas de comida  colocadas pelos humanos e esse animal predador se transformou num auxiliar na caça.&lt;br /&gt;  Mas comer a carniça de animais mortos por predadores mais eficientes exige coragem e engenho, principalmente o tipo de “saprofagia ativa” ou “de confronto”, quando é preciso afastar o animal que matou o outro. As hienas comem os restos de animais mortos por leões mas também são grandes predadoras, cujas garras podem fazer frente às presas dos leões. Imagine então a audácia de nossos antepassados , que não tinham pressas, garras ou armas, saltando de uma moita para roubar as sobras de carne deixadas pelo leopardo ou leão poderoso. Imagine também o papel que o predador teria na imaginação do ser pré-humano e humano primitivo: ele era ao mesmo tempo fornecedor de sustento e destruidor da vida.&lt;br /&gt;  Você pode se perguntar : por que diabos os seres humanos quereriam repetir em rituais religiosos o medo do ataque? Pela mesma razão que hoje as pessoas “civilizadas” pagam para ver filmes em que outros seres humanos são atacados e devorados por necrófilos, vampiros e monstros extraterretres.&lt;br /&gt; Faltava então, a transição, de caça para caçador, um ato de transgressão--uma revolta contra o predador. Foi preciso muita coragem e determinação para nossos antepassados hominídeos, sem garras e de dentes sem corte, desafiarem o domínio dos animais. E como o predador seria também um provedor e uma espécie de divindade, a rebelião humana contra ele pode ser comparada com a insurreição de Lúcifer contra deus-- a diferença é que os humanos venceram.&lt;br /&gt;  Esse acontecimento é lembrado nos mitos  onde geralmente há a morte de um animal fantástico por um deus/herói. Perseu vence Górgona, comedor de carne humana. Indra vence o monstro Vrtra. São Jorge combate o dragão Dajjal. Na lenda sumeriana da origem, o herói é o deus   Marduk e o monstro do caos é a mãe dele , Tiamat, uma personificação feminina do Caos original.&lt;br /&gt;Uma espécie de rebelião humana teria sido o sepultamento dos mortos. Uma consequência óbvia do enterro era impedir que os carnívoros selvagens tivessem um alimento fácil. Isso deve estar ligado com uma mudança de hábitos alimentares nas savanas, a descoberta de raízes como alimento teria  possibilitado, os antigos a não dependerem tanto das feras e junto a percepção de esconder os corpos dos mortos, os humanos teriam podido se distanciar mais e mais das florestas.&lt;br /&gt; A transformação de caça em caçador , em que o fraco se rebela contra o forte , é a história central na narrativa dos primeiros humanos. Nos contos do folclore, os leões são vencidos pelas raposas, os lobos enganados pelos espertos macacos.&lt;br /&gt;  Um mito de origem em geral “fala de um animal primevo que matava seres humanos para ressuscitá-los; no final, o animal era morto e isso, que ocorre no começo, é reiterado pelo ritual. Um ser sobrenatural tinha tentado renovar os homens matando-os para trazê-los de volta à vida “mudados”. Por alguma razão, os homens mataram esse ser supremo, mas depois fizeram rituais secretos baseados nessa tragédia-- mais exatamente , a morte violenta do ser supremo passou a ser o mistério central.&lt;br /&gt;  A maioria das culturas marcou a transição de presa em potencial para caçador em potencial com rituais de iniciação, que costumam ser reencenações vívidas e literais do primeiro encontro com um animal carnívoro. Na Nova Guiné, as crianças que vão ser iniciadas –meninos e meninas- são primeiro ameaçadas por adultos mascarados que saltam das moitas. Os intrusos, supostos “espíritos”, perseguem as crianças gritando “morde, morde” e conduzem-nas até uma plataforma igual à usada para matar porcos. Assustadas as crianças são cobertas com um “manto cegante” e levadas para uma cabana isolada no meio dos arbustos, onde são submetidas a diversas provações  e tomam conhecimento dos segredos da tribo. “Comportar-se como um predador-- lobo, urso, leopardo-- significa deixar de ser humano (...) e, de certa forma, transformar-se num deus. (...) No nível da experiência religiosa elementar, o predador representa uma forma superior de vida.”&lt;br /&gt;  O fascínio humano pela emoção do ataque durou mais tempo que as situações que provocaram essas emoções. Grande parte da reação emocional ao ataque está de certa  forma impressa no circuito do cérebro humano. Os esquilos da Califórnia , por exemplo, ainda conservam “uma reação anti-serpente”: atiram coisas e levantam a cauda, embora faça de 70 mil a 300 mil anos que não são atacados por serpentes. Os antílopes da espécie antilocabra conseguem atingir velocidades de até 90 quilômetros por hora, embora os animais da região capazes de ultrapassá-los estejam extintos há pelo menos 10 mil anos. O medo das crianças, sem qualquer ligação com qual quer experiência real, viriam de ameaças vividas em tempos selvagens.&lt;br /&gt;  Mas outro ponto crucial  é a de quando o predador tinha rosto de mulher. As mais antigas divindades veneradas pelos seres humanos eram mulheres, mas não eram as “mães-terra” imaginadas por tantos eruditos--homens e mulheres. A antiga deusa encontrada em ruínas mediterrâneas e mesopotâmias, ou lembrada na mitologia dessa região têm uma cobra enrolada no pulso e não um filho nos braços. Era uma caçadora a quem se faziam oferendas de sacrifício e, o mais surpreendente, uma visão antropomórfica do animal predador. Na Anatólia, a deusa predadora é Cibele, dominadora de leões. No egito , é Sekmet, com juba envolta em fumaça e chamas, dorso cor de sangue, rosto brilhante como o sol. Na India, é Durga ou Kali, montada num tigre, vivendo em uma floresta cheia de leões e tigres.Na Suméria ela é Inana, com os pés no dorso de dois leões imperiais. Em canaã. Ela é Astarte, montada em um leão. Em micenas, é escoltada por leões; em Çatal huyuk, está sentada entre dois leopardos. Em creta, é vista brincando com leões ou de pé ladeada por leões.&lt;br /&gt;  A ligação entre animal predador e a mulher , reflete algo mais básico, no sentido biológico, do que a morte de animais para servir de alimento. A ligação é por um acontecimento que não ocorre só com os humanos, mas é marcante apenas entre os primatas: a menstruação. As fêmeas humanas menstruam a espaços regulares e em grande quantidades, comparadas com as fêmeas de outras espécies primatas. Elas sangram nos momentos críticos ligados à reprodução--menarca, defloraçào, parto-- e a intervalos mais ou menos frequentes. O sangramento vaginal em uma mulher de nosa época não tem muita importância para os outros. Consideramos um mal-estar, e graças a absorventes , nada aparece. Mas a menstruação pode ter sido mais importante na vida dos povos do paleolíticos do que é na nossa. A menstruação das mulheres é mais abundante que a de outras mamíferas e, antes da invenção do papel e do pano, deve ter sido difícil esconder o fluxo, principalmente em grupos com vida nômade que impedia as mulheres menstruadas de se esconderem e ficarem agachadas durantes dias . Para aumentar esse problema, há a tendência de as f6emeas humanas sincronizarem espontânemente seus períodos menstruais. Mais, existe o fato de a periodicidade da menstruação humana acompanhar de perto o ciclo lunar. Para pessoas que só dispunham da iluminação proporcionada pelas fogueiras dos acampamentos, o ciclo da lua deveria ter grande importância. O sol surge e desaparece num período de 24 horas, mas a lua some completamente durante três noites do mês, que deviam ser assustadoras, de uma escuridão absoluta. Durante outras três ou quatro noites a lua cheia ou crescente ilumina o mundo, fazendo com que ele fique mais seguro, mais agradável para os humanos, permitindo talvez estender até mais tarde as atividades  diárias como a caça e a coleta. Como é provável que a lua tivesse importância capital na vida dos povos pré-históricos, não é de surpreender que a antiga deusa acompanhasse, da mesoamérica ao mediterrâneo, o calendário lunar. É difícil distinguir o ciclo astronômico do menstruyal em relação aos humanos  porque o ciclo menstrual das mulheres , entre todos os primatas , é o que mais se aproxima do ciclo lunar de 29 dias e 12 horas. Poderia parecer que o ciclo feminino controlava a lua, ou que a presença divina que a lua representava surgia no corpo das fêmeas humanas. Bastaria a sincronia  da menstruação entre as mulheres mais a sincronia ampla com o ciclo lunar para fazer da menstruaçào um acontecimento de algum significado público, se não, justificativa para um ritual. Mas ela também envolve sangramento, que em si já é um fato espantoso. No antigo Havaí o sacrifício de sangue era considerado “o parto do homem”, da mesma forma que o parto era o “sacrifício da mulher”. Os astecas também comparavam a morte do homem na guerra à morte da mulher no parto.&lt;br /&gt;  A vagina, que em alguns mitos é chamada de vagina dentada, representa uma boca assim como um “ferimento” e a boca do animal predador costuma ser sua arma mais poderosa. Muito antes do pênis masculino ganhar seu papel simbólico de arma, a boca manchada de sangue seria o órgão mais associado à violência e à força. As imagens míticas associam o sangue a uma boca de mulher: Kali  é representada com sangue saindo da boca-- às vezes, de uma forma estilizada, como um triângulo com seu vértice sob o lábio inferior.Os maoris e algumas mulheres ameríndias tatuavam linhas paralelas que iam da boca ao queixo, sugerindo um sangramento. As mulheres modernas usam batom.&lt;br /&gt;  O evento real que teria acabado com o reinado da deusa predadora e originado o advento do herói-guerreiro é a mudança nas estratégias de caça. Como os grandes animais  migratórios escassearam ou até se extinguiram, foi preciso abandonar a estratégia de “conduzir” rebanhos até  um precipício ou encurralá-los. Em vez disso os caçadores passaram a perseguir animais isolados e matá-los um a um. Com a contínua redução das populações de animais  de grande porte na maior parte do mundo, a caça se tornou uma empreitada que exigia silêncio e paciência para aproximar-se do animal, tarefa que podia ser mais bem realizada por pequeno grupos de homens do que por bandos barulhentos que incluíam mulheres e crianças. Segui-se uma revolução de armas com a inclusão de novos inventos –o arco e a flecha, o punhal e a funda, armas mais poderosas do que apenas a lança e a clava o que permitiu grupos bem reduzidos, de matarem a distância. Isso pode ter sido responsável por um rebaixamento das mulheres. Em vez da caça ser feita em grupo, agora havia o subgrupo dos homens, com as mulheres relegadas ao trabalho menos interessante de preparar a carne trazida pelos homens. Isso também explicaria a ausência de desenhos mostrando mulheres na arte do período paleolítico superior. No iníco do neolítico, o homem era provavelmente uma boa alma temente à deusa. Só que agora ele empunhava firme uma lança, funda ou arco.&lt;br /&gt;  Com essas transformações só os homens teriam o privilégio de reencenar a transformação de caça em caçador. Para as mulheres privadas de um ritual de iniciação com sangue, restou-lhes o status de vítima como o da criança. Esse aspecto é ressaltado pelo “casameto por rapto” como a história do Rapto das Sabinas.&lt;br /&gt;  O ritual das mulheres seguiu a direção oposta, de caçadora para caça. O casamento tinha por finalidade evocar a preparação de um animal para o sacrifício como, por exemplo, no corte de cabelo da noiva, lavando-a, fazendo um sinal de consentimento, o uso de uma guirlanda, a condução da noiva de um homem para outro-- do pai para o noivo. A mulher casada tinha  de sangrar na menstruação, na defloração e no parto como parte de sua obrigação de reprodutora da sociedade, mas não devia provocar sangue. Só o homem podia fazer isso, na guerra e no sacrifício. Assim, como os homens eram a “norma” e as mulheres a exceção, a fraqueza e vulnerabilidade podiam ser consideradas como algo anormal e incidental para a história da humanidade. Ou seja ,o sexo é uma idéia que convenientemente apaga nosso passado como caça e estabelece que a posição do predador é inata e “natural”--pelo menos para os homens.&lt;br /&gt;  É sugestivo que os crimes seiais em mais de 98 % dos sejam cometidos por homens e que as vítimas sejam mulheres.&lt;br /&gt;  Veja essa história.&lt;br /&gt;  Em um bairro viviam 6 jovens e um adolescente. O líder do grupo era Figan, mas ele tinha um rival no grupo, Humphrey. A mocinha do grupo era Gigi, sem filhos e bastante esbelta. Enquanto caminhavam pelo bairro, ouviram os chamados de outra turma, mas fizeram um silêncio inusitado e apertaram o passo. Chegaram a área limite do bairro, mas não pararam. Em pouco tempo, estavam além do seu território, movendo-se silenciosamente pelo território dos vizinhos.&lt;br /&gt;  Perto do limite do bairro, Godi, sozinho comia um lanche. Era um um adulto jovem comum, com uns 21 anos, fazia parte da turma daquele  bairro , que tinha outros seis, e aqueles chamados era da sua turma o chamando. Na maioria das vezes davam um “rôle” todos juntos. Hoje porém, Godi tinha resolvido comer sozinho. Um erro.&lt;br /&gt;  Quando viu a turma invasora, eles já estavam junto a esquina. Começou a correr, mas seus perseguidores correram atrás dele, os três da frente ombro a ombro. Humphrey alcançou-o primeiro, agarrando-lhe uma perna. Desequilibrado, Godi tropeçou em seguida. Humphrey saltou sobre ele. Com todo o peso de seus 50 quilos sobre Godi, prendendo-o no chão como um lutador de judô, segurando suas duas pernas , Humphrey o imobilizou. Godi ficou deitado, impotente, a cara enfiada no chão.&lt;br /&gt;  Enquanto Humphrey o segurava, os outros rapazes atacaram. Estavam, excitadíssimos, gritando e atacando. Hugo, o mais velho, mordeu Godi com dentes já corroidos quase até as gengivas.  Os outros esmurravam suas omoplatas e costas. O adolescente ficou olhando de uma certa distância. Gigi, ficou dando voltas em torno do ataque, gritando.( Imagine-se sendo surrado por cinco pugilistas pesos-pesados e terá uma idéia de como Godi deve ter se sentido.&lt;br /&gt;Passados 10 minutos, Humphrey soltou as pernas de Godi. Os outros pararam de bater nele. Godi ficou deitado na lama, de cara para baixo, e lhe jogaram uma pedra grande em cima. Em seguida, ainda alucinados de excitação, os atacantes  penetraram mais para o interior do bairro, soltando gritos e correndo. Alguns minutos depois, voltaram para o norte e cruzaram de novo a fronteira do bairro. Godi, erguendo-se lentamente, berrando de medo e sofrimento, ficou olhando seus algozes irem embora. Sua cara, corpo e membros tinham ferimentos horríveis. Estava seriamente machucado. Sangrava por dezenas de talhos, cortes e perfurações.&lt;br /&gt;  Nunca mais foi visto. Pode ter vivido mais alguns dias, talvez uma semana, ou duas. Mas, certamente , morreu.&lt;br /&gt; Esse ataque é a descrição de um trabalho de pesquisa no Parque nacional de Gombe na Tanzânia, com um grupo de ... chimpânzes.&lt;br /&gt; As origens da agressividade humana  remontam aos mais antigos antepassados humanos, e é compartilhada pelos outros primatas ao contrário do que os sonhadores imaginam, o orangotanto, chimpânzes e gorilas são animais brutais capazes de comportamentos cruéis. O orangotango usa o estupro como uma prática e há até relatos de mulheres que forma estupradas por algum. Gostaria imensamente de concordar com alguns que consideram que o homem nasce bom. Mas na verdade, o complemento correto seria o homem nasce potencialmente bom e mau, e as variáveis podem determinar um comportamento padrão.&lt;br /&gt; E na atualidade qual é o padrão global ? É claro que ele é determinado por uma orientação, mas qual? Religiosa? Filosófica? Científica ? Artística ? O que é que determina o nosso estilo de vida, como experimentamos as coisas, a que temos acesso. O que nos ajuda a respondermos Quem somos ? De onde viemos e para Onde iremos ,como no quadro de Gauguin? Qual a estrutura que faz erigir todas as outras ? A resposta é uma só. Economia. As relações se estabelecem de acordo com elementos econômicos. Desde um vírus até os seres humanos, passando pelas característica do universo. Uma bactéria não vai conseguir viver no seu corpo se não houver uma relação de troca de qualquer espécie entre o que ela necessita e o seu corpo, é claro que você ganha se ela não estiver ai, mas ela ganha se permanecer no seu corpo.&lt;br /&gt;  Qualquer relação pode ser do tipo harmônica intra-específicas como: as colônias e sociedades ; interespecíficas  como a protocooperação, o comensalismo e a simbiose; ou então do tipo desarmônica, amensalismo, parasitismo e predatismo. Dentro dessa visão ecológica é óbvio que o modelo global predominante está inserido dentro de uma delas. A sociedade é a nossa relação por excelência, do tipo homeotípica, todos nascem iguais, sem qualquer predefinição de trabalho. Sociedades desse tipo funcionam sob o princípio do “cada um por si, deus por todos”. Mas na sociedade pode haver subrelações do tipo desarmônicas como o amensalismo, que acontece até mesmo entre animais aparentemente inofensivos, como pássaros e roedores, o amensalimsmo se caracteriza com espécies que ocupam o mesmo nicho numa mesma área e enfrentam o problema da competição territórial. O parasiltismo é a modalidade de relação onde uma espécie se instala no corpo de outra, dela retirando matéria para sua nutrição e causando-lhe, em consequência, danos cuja gravidade pode variar desde pequenos distúrbios ou incomodidades até a morte do hospedeiro, esses são seres como pulgas, mosquitos, piolhos, ou bactérias , vírus e fungos, alguns tipos de mosca, lombrigas. E por último, o predatismo é a relação sumária desarmônica entre os seres vivos, consiste no ataque brutal e impiedoso de uma espécie a outra com o objetivo de matá-la e devorá-la. No entanto ele só se caracteriza completamente quando a agressão é praticada com finalidade alimentar e a vítima é efetivamente devorada pelo agressor. O ato de matar por alguma razão competitiva ou de territoriedade, ou por posse de fêmeas como costuma acontecer com servos, bisões, focas, elefantes – marinhos e até canários, galos-de-briga e peixes-de-briga, sem que a vítima seja consumida como alimento, não se qualifica como predatismo. O predatismo se constitui em um meio de satisfazer a necessidade alimentar de uma espécie, é um fenômeno biologicamente compreensível. Embora seja frequente dizer que o homem é a espécie mais predadora no mundo atual, pois algumas de suas vítimas não são consumidas como alimento, e portanto tais atos de agressão não devem ser considerados como prática do predatismo, mas como crimes. Mas quanto, aquelas vítimas que se destinam a alimentação? Somos carnívoros, e chegamos até aqui, no topo da cadeia evolutiva no nosso planeta  também por essa característica.&lt;br /&gt;  A passagem de caça para caçador dos nossos antepassados, foi determinante para que pudessemos nos ornganizar de uma forma nova onde o modelo econômico se basearia então na guarda de alimentos pela mulher que fica no local aguardando o grupo de homens que saiam em grupos reduzidos , por causa de novas tecnologias de caça. O homem não era mais um ser em dependência com as feras esperando que ele matasse um animal para que pudesse consumir a carniça. Mas o que fazer com o mundo antigo? Não pegamos simplesmente nossas memórias e resolvemos esquecê-las. Quanto mais uma memória genética que nos conduzira até o ponto de nos rebelarmos contra as feras. Só havia um caminho. Oantigo mundo deveria ser absorvido, essa é uma característica conhecida como “esquenomórfica”  que é quando características antigas e originais, que outrora foram de importância prática, mas que se tornaram principal, ou decorativas e não mais sujeitas à selecão por motivos utilitários. Como, por exemplo, os botões nos punhos dos paletós, os estribos nos modelos do fusca , que vieram dos estribos de cavalos ou na arquitetura com figuras decorativas de pedra que seguiram orientação de madeira. São várias as respostas para  copiar . Entre elas é a de que copiar é fácil: a seleção e o planejamento que deram resultado no desenvolvimento da versão anterior tornam-se inerentes a estrutura, e a cópia pode ser feita sem ter de realizar novamente esse trabalho. Outra razão é que copiar é seguro: a versão antiga fez o que dela era exigido, e a cópia deve desempenhar a mesma função pelo menos tão bem quanto o original. E, ainda a cópia cria objetos que estão de acordo com o que as pessoas esperam: a versão anterior fixou o padrão de como “devia ser”, e a cópia acaba parecendo confortavelmente familiar. O que se aplica a evolução cultural aplica-se também à evolução biológica.&lt;br /&gt; A formação das sociedades humanas seguem essa diretriz, onde culminamos com o capitalismo.&lt;br /&gt; Na formação da riqueza dos homens e nações está a raiz do predatismo humano.&lt;br /&gt; O que é que faz um país rico? Já no século XVI o pensamento já era bem simples: Ouro e prata. Por serem metais duráveis e de fácil transporte. E os governos acreditando nisso pensavam que quanto mais ouro e prata houvesse num país, tanto mais rico ele seria. Para ajudar isso baixaram-se leis para proibir a saída desses metais do país. Com os mercantilistas, o comércio se estabeleceu com o pensamento de que, no comércio , o prejuízo de um país era lucro de outro. Não consideravam o comércio algo que proporcionasse benefício mútuo.&lt;br /&gt; No século XVII Adam Smith lança a súmula da nascente rebelião contra a política mercantilista, baseada na restrição, regulamentacão e contenção. Ele liquidou a teoria mercantilista do muito ouro. “O país que não tem minas próprias deve sem dúvida, obter seu ouro e prata dos países estrangeiros, tal como o país que não tem vinhas precisa obter seu vinho.” O começo da defesa do comércio livre diz que “ o maior melhoramento na capacidade produtiva do trabalho(...) parece ter sido o efeito da divisão do trabalho” Entenda-se : especilalização. Manter o trabalhador na mesma função, até que se torne um perito nela. “Todos os sistemas, seja de preferência ou contenção, portanto, devem ser afastados, estabelecendo-se o simples e óbvio sistema de liberdade natural. Todo homem, desde que não viole as leis da justiça, fica perfeitamente livre de procurar atender a seus interesses, da forma que desejar, e colocar tanto sua indústria como capital em concorrência com os de outros homens, ou ordem de homens.”&lt;br /&gt;  Dentro da estrutura da sociedade feudal de sacerdotes, guerreiros e trabalhadores , surgira um grupo da classe média que através dos anos foi ganhando força. Havia travado uma luta longa e dura contra o feudalismo, marcada particularmente por 3 batalhas decisivas. A primeira foi a Reforma Protestante; a Segunda foi a Revolução na Inglaterra e a terceira , a Revolução Francesa. No fim do século XVIII era forte para destruir a velha ordem feudal. Em lugar do feudalismo, um sistema social diferente, baseado na livre troca de mercadorias com o objetivo primordial de obter lucro, foi introduzido pela burguesia. A esse sistema chamamos: Capitalismo.&lt;br /&gt; Duas pessoas estão esperando na fila de um cinema para comprar entradas para o filme. Cada um paga R $ 10,00 por 2 lugares. Ao se afastarem, um deles se junta ao seu acompanhante e entra para assistir o filme. O outro deixa a bilheteria, e fica na calçada em frente, com os bilhetes na mão, aborda os que passam. “Quer um lugar no centro para hoje?”-- pergunta. Pode ser que acabe vendendo as entradas ( por R$ 6,00 cada) ou pode ser que não venda. Não importa.&lt;br /&gt; A diferença entre o que entrou e o que ficou na calçada é que o dinheiro do que ficou na çalçada é capital, o dinheiro do que entrou , não.&lt;br /&gt; O dinheiro só se torna capital quando é usado para adiquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vendê-los novamente , com lucro. O que  ficou na calçada não queria ver o filme. Pagou R$10,00 com a esperança de tê-los de volta – com acréscimo( um excedente; sem objetivo imediato para sua utilização). Portanto, seu dinheiro tinha a função de capital. O que entrou no cinema, por outro lado , pagou R$ 10,00 sem esperança em consegui-los de volta- simplesmente desejava ver o espetáculo .        Seu dinheiro não tinha a função de capital. O capitalista é o dono dos meios de produção – edifícios, máquinas, matéria-prima,etc.; compra a força do trabalho. É da associação desses duas coisas que decorre a produção capitalista. O dinheiro não é a única forma de capital Seu capital aumenta na medida em que ele compra a força de trabalho. Mas de onde veio inicialmente o capital-- antes de começar a indústria moderna?&lt;br /&gt;  Você pode ser caridoso e dizer que o capital necessário para iniciar a produção capitalista veio das almas cuidadosas que trabalharam duro, gastaram apenas o indispensável e ajuntaram as economias aos poucos. Sempre houve quem economizasse , é verdade, mas não foi dessa forma que se concentrou a massa de capital inicial. Seria muito bonito se assim fosse, mas a verdade é bem diversa. A verdade não é bonita.&lt;br /&gt; Antes da idade capitalista, o capital era acumulado principalmente através do comércio-- termo que era bastante elástico, significando não apenas a troca de mercadorias, mas incluindo também a conquista, pirataria, saque e exploração.&lt;br /&gt;Não foi a toa que as cidades estados se prontificaram a ajudar nas Cruzadas. E o início da organização capitalista pode-se estabelecer por volta dos séculos XIII e XIV. Mas por maior que fosse o tesouro do Oriente, não era bastante. Um maior fluxo e maior capital era necessário antes que a idade da produção capitalista realmente pudesse começar a existir. Foi a partir do século XVI que se começou a reunir capital em volume bastante grande para satisfazer a essa necessidade. A descoberta  de ouro e prata nas Américas, a extirpação, escravidão e sepultamento, nas minas, da população nativa, o início da conquista e saque das Índias, a transformação da África num campo para a caça comercial aos negros, assinalam a aurora da produção capitalista. A melhor definição para essa formaçãodo capital inicial de todo o sistema capitalista talvez tenha sido dada por Karl Marx: “Se o dinheiro(...) vem ao mundo com uma mancha congênita de sangue numa das faces, o capital vem pingando da cabeça aos pés, de todos os poros, sangue e lama.”&lt;br /&gt;  Somente quando os trabalhadores não são donos da terra e das ferramentas – somente quando foram separados desses meios de produção- é que procuram trabalhar para outra pessoa. Não o fazem por gosto, mas porque são obrigados, a fim de conseguir recursos para comprar alimentos, roupa e abrigo, de que necessitam para viver. Destituídos dos meios de produção, não têm escolha. Devem vender a única coisa que lhes resta- sua capacidade de trabalho, sua força de trabalho.&lt;br /&gt;  Se a igreja católica  estava engrenada numa economia feudal e manual, em que o artesão trabalhava simplesmente para viver, não podia modificar seus ensinamentos de forma bastante rápida para enquadrar-se na economia capitalista, onde o industrial trabalhava para ter lucro, então a igreja protestante podia.&lt;br /&gt; “Se deus vos mostra o caminho pelo qual podeis ganhar mais, legalmente, do que em qualquer outro e se recusais, escolhendo o caminho menos lucrativo, estareis faltando uma das vossas missões, e rejeitando a orientação divina, deixando de aceitar seus dons para usá-los quando Ele o desejar; podeis trabalhar para serdes ricos para Deus, embora não para a carne e o pecado.” Esse é um discurso de um puritano do século XIX.&lt;br /&gt;“Em suma , o caminho da riqueza, para quem o deseja, é tão fácil como o caminho do mercado. Depende principalmente de duas palavras, indústria e frugalidade ; ou seja, não desperdice  tempo  nem dinheiro (...) Aquele que ganha  tudo o que pode , honestamente, e poupa tudo o que pode, certamente se tornará  rico.”Benjamim Franklin. Bom, Franklin parece que não prestou bastante atenção no seu discurso ou então, é o que acredito,o que ele fazia quem esse pensamento eram duas coisas simultâneas: uma constatação e uma orientação; já que se você tirar a palavra ‘honestamente’, não muda em nada a conclusão de que se “você  ganha tudo o que pode e poupa tudo o que pode, certamente se tornará rico”, ‘Honestamente’ está aí como um juízo de valor ou uma avaliação matemática de que se você for cada vez mais desonesto as possibilidades de você não ganhar ou até perder são maiores. De qualquer forma esse discurso revela de forma implícita  a divisão entre pobres e ricos. E a vida dos pobres não era nada fácil no século XIX.&lt;br /&gt;Veja esse testemunho de um artesão.&lt;br /&gt;“Pergunta: Tem filhos?&lt;br /&gt;“Resposta: “Não. Tinha dois, mas estão mortos, graças a deus!&lt;br /&gt;Pergunta: Expressa satisfação pela morte de seus filhos?&lt;br /&gt;“Resposta: Sim. Agradeço a Deus por isso. Estou livre do peso de sustentá-los, e eles, pobres criaturas, estão livres dos problemas desta vida mortal.”&lt;br /&gt;  Algumas coisas que hoje achamos horríveis pareciam aos ricos de então perfeitamente justas. As crianças por exemplo trabalhavam 14 hora por dia. “Nada mais favorável para a moral do que o hábito, desde cedo , da subordinacão, da indústria e regularidade”. “Algumas das necessidades que a pobreza impõe não constituem durezas, mas prazeres. A frugalidade em si é um prazer. É um exercício de atenção e controle que produz prazer em sacar  de recursos imensos. Uma vantagem ainda maior com que sustentam seus filhos. Tudo do que o filho de um pobre necessita está encerrado em duas palavras, industria e inocência. Esses são os discurso da indústria e igreja da época. A pobreza passa a ser um valor pelo qual os mais pobres devem viver a suas vidas para aceitar aquilo que o sistema capitalista os priva.  Mas logo a insatisfação dos trabalhadores se fez sentir e por causa do desemprego com novas tecnologias eles acharam que a culpa era das máquinas&lt;br /&gt; As teoria s da revolução industrial são conhecidas como Economia Clássica. O bem estar da sociedade está ligado ao do indivíduo. Dê a todos a maior liberdade , diga-lhes para ganharem o mais que puderem, apele para seu interesse pessoal, e veja, toda a sociedade melhorou! Trabalhe para si mesmo, e estará servindo ao bem geral.&lt;br /&gt; A “mão invisível “ de Adam Smith é sem dúvida uma das grandes idéias da história, tanto pelo conteúdo quanto pela influência que exerceu sobre as ideologia , a vida política e as políticas públicas. A idéia de que a Alquimia da concorrência, através do mercado, transmuta as impureza do egoísmo pessoal em ouro—o ouro do bem estar social- é uma proposta que, nas aulas de economia e nos debates políticos, nada perdeu de sua força. James Tobin ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1981 já falava sobre os exageros de uma ideologia tiunfante como a economia clássica, e jogou fervura no ânimo de muitos neo-liberais. E alerta que a “mão invísivel” talvez precise de uma mãozinha. “Um sistema em que nenhuma regulamentação, nenhuma intervenção orçamentária não fosse fonte de distorção pertence ao mundo da Quimera.” O debate a muito tem sido delimitar a extensão do poder público e privado. “Os problemas atuais são tanto mais complexos quanto mais cumulativos e diferidos sejam seus efeitos negativos, sendo, devido a sua natureza, difícil avaliá-los. Várias tecnologias que contribuem, de maneira eficaz, para o bem estar dos consumidores individuais têm hoje efeitos secundários que, no futuro, se revelarão dispendiosos ou dasastrosos: esgotamento da camada de ozônio, efeito estufa, rejeitos tóxicos ou radiotivos, redução dos lençóis freáticos, sem esquecer os múltiplos perigos que ameaçam o meio ambiente e a ecologia .”Esse discurso tem pouco mais de vinte anos e é impressionante o poder premonitório dele senão o potencial de realização projetados por organismo internacionais para os próximos 50 anos.. “Enfim, há limites para as desiguladades extremas que uma democracia pode tolerar, sobretudo quando a televisão passa seu tempo a colocar a vida luxuosa dos ricos diante dos olhos dos jovens pobres que não têm esperança alguma de experimentá-la algum dia.”&lt;br /&gt;Umberto Eco diagnosticou nosso tempo como respirando neurastenia e vivendo em busca de uma cura para esse mal. Tudo em altíssima velocidade. O nosso tempo estaria estressado porque não sabe de quem se deve defender nem como:  somos demasiado poderosos para  evitar nossos inimigos.&lt;br /&gt; Goethe tratou dessa ansiedade com Fausto. O personagem passa por várias transformações, a primeira com uma crise que o leva a tentar o suícidio, a segunda quando ele se torna um amador, um entusiasta, que tem seu drama na relação com Gretchen. E  por último a figura do fomentador a síntese antopomórfica do progresso ao infinito. Ele reage a realidade assumindo um perfil de homem de ação: planos concretos, nada de sonhos e fantasias, nem mesmo teorias. Essa figura que faz lembrar um monstro, termina consumido por seu próprio processo de destruição-construção, processo que, em qualquer época, acaba por ser bruscamente interrompido pela morte.&lt;br /&gt;  No fim, fausto encontra 4 mulheres, alegorias da Necessidade, Pobreza , Culpa e Ansiedade, às três primeiras ele consegue resistir, mas a quarta, a Ansiedade continuará persenguindo-o tenazmente. Nessa constante luta para superar a ansiedade , encontrará sempre uma reserva de força interior que ajudará a enfrentar o infinito caminho, como todo ser humano e exibirá suas limitações: “Ainda não consegui abrir inteiramente o meu caminho em direção à liberdade.” Fausto é um modernizador, o progresso, mais e mais, plus que, ao fim de seu caminho, se vê diante das limitações do progresso humano, e é esta a sua inexorável tragédia.&lt;br /&gt;   Mas há um tipo para o qual não há limites, ao menos imagina que não exista: O psicopata.&lt;br /&gt;  Os termos psicopata, sociopata, anti-social, transtornos de conduta, delinquência, bordeline e muitos outros, junto com conceitos como Personalidade Criminosa e Personalidade Psicopática estão constantemente sendo revistos pela psiquiatria em geral.&lt;br /&gt; Os Transtornos da Personalidade são caracterizados pela permanência, diferente das alterações patológicas que podem surgir de um momento para outro. Os traços que iram identificar os transtornos são padrões permanentes no modo de perceber a realidade, relacionar-se consigo próprio e com os outros e, sobretudo, de pensar. Quando os traços são inflexíveis, rígidos e mal-adaptativos para uma vida harmoniosa, causando prejuízo ocupacional ou sofrimento significativo na pessoa e naqueles que a rodeiam, esses Traços de Personalidade constituem um Transtorno da Personalidade. O sofrimento da pessoa e dos ao redor não é um determinante para a classificação de um Transtorno podendo haver o Traço apenas de inflexibilidade e/ou prejuízo ocupacional. Estas personalidades teriam alterações perenes do caráter, caracterizando não apenas a maneira de ESTAR no mundo mas, sobretudo, a maneira do indivídiuo  SER no mundo.&lt;br /&gt;  A OMS( Organização Mundial de Saúde) classifica da seguinte forma:  “Estes tipos de condição (Transtornos de Personalidade) abrangem padrões de comportamento profundamente arraigados e permanentes, manifestando-se como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações pessoais e sociais. Eles representam desvios extremos ou significativos do modo como o indivíduo médio, em uma dada cultura, percebe, pensa, sente e, particularmente, se relaciona com os outros. Tais padrões de comportamento tendem a ser estáveis e a abranger múltiplos domínios de comportamento e funcionamento psicológico. Eles estão freqüentemente, mas não sempre, associados a graus variados de angústia subjetiva e a problemas no funcionamento e desempenho sociais”.&lt;br /&gt; "Características de personalidade são padrões duradouros de percepção, relação e pensamento acerca do ambiente e de si mesmo, e são exibidos numa ampla faixa de contextos sociais e pessoais importantes. É somente quando as características de personalidade são inflexíveis e inadaptadas, e causam um comprometimento funcional significativo é que elas constituem os Transtornos da Personalidade. As manifestações dos Transtornos da Personalidade são, freqüentemente, reconhecíveis na adolescência ou mais cedo, e continuam por quase toda a vida adulta, embora elas muitas vezes se tornem menos óbvias nas faixas médias ou extremas de idade".&lt;br /&gt;"Um Transtorno da Personalidade é um padrão persistente de vivência íntima ou comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é invasivo e inflexível, tem seu início na adolescência ou começo da idade adulta, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo."&lt;br /&gt;Em nenhum momento há uma orientação de como deveria ser uma pessoa sem o Transtorno, porque o Transtorno nada tem haver com uma “doença” no sentido usual da palavra mas sim com um comportamento que quebra uma regra constituida média, podendo ou não ser intencional essas regras, como por exemplo as leis, o comportamento que deve-se esperar das pessoas que conhecemos ou uma constituição cerebral dentro nos níveis médios.&lt;br /&gt;Os aspectos psicobiológicos Modernamente considera-se que o estudo dos Transtornos da Personalidade se estrutura sobre quatro domínios psicobiológicos. São eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   1 - A regulação dos impulsos;&lt;br /&gt;   2 - A modulação afetiva;&lt;br /&gt;   3 - A organização cognitiva e;&lt;br /&gt;   4 - O controle da ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  E estudo dessas, digamos, funções psíquicas, extremamente relacionadas às alterações da personalidade, tem recebido substancial contribuição pelos modernos métodos de avaliação bioquímica, pelos exames neuropsicológicos e pelas imagens computadorizadas das tomografias e dos aparelhos de emissão de pósitrons.&lt;br /&gt;  A Faculdade Moral e um princípio moral da mente humana. Por Faculdade Moral entende-se o atributo da mente humana capaz de distinguir e eleger entre o Bem e o Mal; ou, dito de outro modo, entre a Virtude e o Vício. Trata-se de um princípio inato e, ainda que possa melhorar-se pela experiência e pela reflexão, não deriva de nenhuma delas, nem da experiência, nem da razão. A Faculdade Moral tem recebido distintos nomes segundo os autores. Trata-se do Sentido Moral, de Hutchison, ou a Simpatia, de Adam Smith, o Instinto Moral, de Rousseau. São João dizia ser "a luz que ilumina todo ser humano que vem ao mundo".&lt;br /&gt; As perenes ocorrências de crimes seriais, juntamente com as igualmente perenes atitudes destrutivas de fundo religioso e político e as atuais conturbações do mundo moderno, principalmente as grandes tragédias político-sociais que abalam os grandes centros, como por exemplo, as ações terroristas, têm chamado muito a atenção sobre a destrutividade potencial que caracteriza a conduta de algumas pessoas. Seriam psicopatas todas as pessoas envolvidas nessas ações delituosas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A economia, psiquiatria e biologia ganhariam muito com o  estreitamento dos seus  laços. Se todas as projeções de organismos internacionais para o futuro do palneta não são dos mais felizes --e pior, justamente pela ação do Ser Humano-- o modelo deveria ser avaliado de forma mais acentuada. Mas qual é esse modelo? O predominante? Aquele que se observassemos de fora do planeta definiriamos para os terraqueos? Qual o modelo espinhal da vida na terra?&lt;br /&gt; A Liberdade é um valor propagado e almejado por todos. Mas me lembro de uma frase: se você não sabe para onde vai, qualquer lugar serve. Qual é a meta final de nossos sonhos?  Certamente até onde as asas da imaginação pode nós levar e ela pode nos levar a qualquer lugar. Mas independente de para onde formos o que nós guiara é a crença em qualquer coisa, em si, nos outros, em um objeto, ou em um deus, de todos os signos. deus é o mais complexo e poderoso. Quando o homem tratava com deus através dos sacerdotes, era seguro por que havia alguém de carne e osso com quem intermediar, mas com a reforma Protestante, deus ficou ao alcançe de todos, e eles se tornaram mais fortes-- o homem que acreditava em um deus íntimo , e a crença , aquele homem compartilhava com os seus iguais um mesmo deus. O deus íntimo, individual, do seu coração é o eco egoísta de uma memória ancestral, registrada em seus genes. E não há ninguém mais egoísta do que um psicopata, alguém que pensa primeiro em si. O psicopata é incapaz de ver um ato seu como algo errado, desprovido de Virtude, de Bem, ele está convicto de que o que faz é certo e sob&lt;br /&gt;o ponto de vista individual está certo. Apenas quando usamos critérios médios para julgá-los é que ganham o signo do Mal. Não há mais ninguém com uma fantasia de que é mais onipotente, onisciente e onipresente.&lt;br /&gt; Já vimos como elementos esquenomorficos podem perdurar em uma espécie animal, um comportamento que não tem mais utilidade, mas que persiste e adaptasse ao novo estilo de vida. O psicopata assassino é um crimonoso que condenamos, mas o comportamento psicopático é algo enaltecido, propagado e almejado pela maioria das pessoas.&lt;br /&gt; A construção do Bem requer esforço, por isso a imagem do Demiurgo como uma entidade coletiva foi banida na construção do Cristianismo. Ela está embasada naquilo que Platão chamou de “Ideais”. O Cristianismo e todas as religiões conhecidas tem o seu eco na animalidade ancestral do homem e o Capitalismo o seu instrumento, sua ferramenta com a qual ele subjulga os mais fracos. Não digo que seja tudo fruto de um plano ou conspiração de um grupo. Tudo se da no âmbito da evolução biológica. A questão é: Se queremos ser apenas elementos, animais desprovidos de razão da seleção natural e esperar que ela faça as escolhas ou se queremos construir um mundo baseado nos princípios do Bem,  da Virtude, da Igualdade,da Fraternidade, da Liberdade.&lt;br /&gt;   O medo inato do homem pelo desconhecido reside na escuridão do seu inconsciente, porém, também é de lá  que ele ganha a força para enfrentar esse medo. Qualquer que seja o deus ele advém de uma história humana que foi moldando até termos o modelo universal do que definiriamos, em, geral, como deus: onisciente, onipresente, onipotente. O significado dessas três palavras é a mesma que pode ser usada por uma criança para definir os pais.Ela imagina os pais como poderosos, sabem por que o céu é azul, estão sempre lá quando choram, e conseguem fazer os melhores desenhos. O significado é o mesmo somente muda o nível modal.&lt;br /&gt; Agora imagine um sistema onde uma criança extremamente poderosa tem amigos igualmente poderosos para fazer tudo sob a ótica que eles tem dos pais. é claro que os gatos da vizinhança correm perigo, ou as vidraças dos seus desafetos. Essas crianças constroem o seu mundo baseado no que elas imaginam que seus pais iram achar como certo. Mas imagine também, que por algum motivo, os pais viajaram, e elas ficaram sozinhas sem poder se comunicar com eles e os irmãozinhos mais jovens foram recebendo uma educação dos mais velhos que falavam dos pais, e os menorzinhos, é óbvio, fariam uma imagem, cada vez que o tempo passasse mais distante da realidade, até que os pais seriam uma imagem criada em necessidades pessoais. Pode-se imaginar que esse lugar logo logo ira virar uma baderna, por que cada um imagina que os pais aceitarão o que eles fazem, individualmente, a não ser que eles cresçam e criem regras e se proponham a segui-las. Mas isso é bobagem, é pedir demais de crianças.&lt;br /&gt;Imagino que a maioria das pessoas não pense sua situação no mundo e me faz lembrar do que acontece com um sapo quando você poem ele na água quente ele pula mas, se você  colocar ele em água fria e for esquentando a água, lentamente, ele ira ficar ali, não ira perceber nada, até morrer. Nossa situação é mais ou menos a mesma. Porém alguns poucos sapos tentam pular e fazer um pouco de barulho para alertar os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                              RODOLFO LOBATO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ballone, G.J. Transtornos da Personalidade. Web. 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casoy, Ilana. Serial Killers- made in brasil.São Paulo: ARX, 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darwin, Charles. A origem das espécies. Rio de Janeiro:  Newton Compton,1996&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eco, Humberto. Reflexões para o futuro. Sãop Paulo: Veja, 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ehrenreich, Barbara. Ritos de sangue. Riode Janeiro: Record, 2000&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jakobson, Roman. Linguistica e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1995&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Huberman, Leo. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1980&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humphrey, Nicholas.Uma história da mente. Rio de janeiro: Campus, 1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Platão. Diálogos.São Paulo: Nova cultural, 1987&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restrepo, Darío Henao. O fáustico na nova narrativa latino-americana.Rio de janeiro: Leviatã, 1992&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soares, José Luís. Biologia. SãoPaulo: Scipione, 2000&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tobin, James. Grandezas e limitações da "mão invisível". Dissent&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wrangham, Richard. O macho demoníaco. Rio de Janeiro: Objetiva , 1998&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson, Colin. O oculto.Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1981&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37537846-116356252605404931?l=atorredepapelosmanuscritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atorredepapelosmanuscritos.blogspot.com/feeds/116356252605404931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37537846&amp;postID=116356252605404931' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37537846/posts/default/116356252605404931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37537846/posts/default/116356252605404931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atorredepapelosmanuscritos.blogspot.com/2006/11/ensaio-o-deus-psicopata.html' title='ENSAIO  -  O DEUS PSICOPATA.'/><author><name>Benjamim Zuriel</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2384/4207/1600/babel.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
